Fotos Paulo Sicsu, Peta Cid e Arquivo de Família
Notícia do dia 28/02/2021
Uma das figuras mais emblemáticas do cotidiano da lha de Tupinambarana faleceu e partiu para a eternidade. João Bosco Brasil da Silva, o popular o Bosquinho do Palmares, foi encontrado sem vida aos 54 anos na residência dele na Rua Rio Branco, Palmares, no dia 25 de fevereiro de 2021. Setor de saúde faz investigação para saber a causa da morte. Ele queixava-se de uma gripe nos últimos dias.
Os arraiais e quermesse das Igrejas e Comunidades Católicas; Carnaval ou Carnailha de Parintins não terão mais a presença marcante de Bosquinho.
Filho da dona de casa Maria do Carmo Brasil e de João da Silva Rodrigues, da turma do Esconde.
Bosquinho Devoto do Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora de Lourdes. Era polivalente e quase onipresente nesses eventos religiosos da missa ao novenário do terço. Participava de arraiais e shows de calouros, do retiro tradicional da Federação Mariana e da encenação da Paixão de Cristo na Quaresma.
Nos palcos dos arraiais era o Beto Barbosa de Parintins. Lembra do Beto o cantor paraense sucesso das décadas de 80 e 90.
Bosquinho subia no palco e aquele homem franzino e de voz meio rouca deixava de existir. O artista altivo e com a mão firme no microfone soltava a voz.
O críticos tratavam ele como desafinado, desengonçado, inconveniente por querer cantar em todos os arraiais ou insistente. Mas, Bosco sempre foi persistente de estar no palco e alheio a todos os comentários maliciosos, Bosquinho Brasil queria mesmo era ser feliz e passar alegria ao público.
Aquela dancinha enigmática marcou gerações. Uma mistura de merengue, samba, forró, dança do ventre e lambada. Pensa que é fácil? Então, comece a tentar mexer os quadris com os passos diversos e levar o corpo para o outro lado. Requer habilidade de detalhes e Bosco Brasil conseguia. No final de cada apresentação o público delirando o aplaudia. O verdadeiro ápice do artista.
Bosquinha era imbatível ao interpretar e dançar a música "Adocica, meu amor”, de Beto Barbosa, que fez sucesso na novela "Sexo dos Anjos", da TV Globo em 1989. Os versos "Adocica, meu amor, adocica/Adocica, meu amor, a minha vida, oi” era sensacional com a perfomance de Bosquinho.
Outro sucesso interpretado por Bosquinho nos palcos dos Arraiais e na Festa de Nossa Senhora do Carmo era a música 'Nega Princesa’, sucesso na década noventa no disco do cantor 'Kzam Nery’. A letra "Estou enamorando uma nega princesa/Fico alucinado de tanta beleza/Estou enamorando uma nega princesa/Fico alucinado de tanta beleza/Ai, ai, ai!”.
Um outro que sempre dava show nos arraiais era o cabeleleiro conhecido como Banana, que interpretava músicas da Xuxa.
Bosquinho Rei Momo do Carnailha
Foto: Paulo Sicsu
Bosco Brasil era a personificação do brasileiro. Sobrevivia se virando nos trinta. Mas, mantinha a esperança de um mundo melhor. Bosquinho era bicheiro, fazedor de aposta, vendendor de bingo da Rádio Alvorada.
Ele quebrou tabu em Parintins no Carnaval de 2009. João Bosco Brasil da Silva tornou-se o primeiro Rei Momo magro na história de Parintins. A façanha não é coisa pouca. Afinal, desde 1932, quando no Carnaval Carioca surgiu a figura de Rei Momo em forma humana, foi consenso que devia ser alguém alegre, grande, bonacheirão, bem falante e com cara de glutão. Mas Bosquinho era magro. Rosto fino, voz meio rouca, mas de sorriso fácil. Somado a isso, os passinhos de dançarino, conquistaram os foliões. Saltitante o passista fez a festa.
Bosquinho Rei Momo recebeu até as chaves da cidade. O instrutor de fotografia do Liceu de Artes Parintins e fotojornalista Paulo Sicsu registrou em 2009 um dos momentos de Bosquinho. Ovacionado entre serpentinas e confetes, Bosco Brasil não decepcionou.
Pastor na Pastorinha Filhas de David na Francesa

Como devoto do Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora do Carmo, Bosco Brasil não perdia nenhuma missa. Principalmente as missas dominicais. Além da pochete sempre pendurada, ele tinha como companhia uma sombrinha. Faça sol ou chuva, a sombrinha o fazia chegar na Igreja.
Dessa forma, não é surpresa que Bosco Brasil tenha sido por vários anos brincando nas Pastorinhas. Movimento cultural que todos os anos, entre 24 de dezembro até dia 06 de janeiro, dia em que a tradição católica celebra a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, Pastorinhas encerram suas atividades pelas ruas. E Bosquinho sempre presente!
Bosco Brasil era a figura do ‘Pastor Fazendeiro”, pela tradição do pastor da Arcádia Lusitana é quem comanda as pastoras durante a apresentação. Ainda bem que a jornalista Peta Cid, descendente dos fundadores do Boi Caprichoso de Parintins, que ajuda o radialista Elinaldo Tavares na página “Cenas da Ilha”, registrou a performance do Pastor Boquinho em 2017 e 2018. É uma relíquia.
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Berço Caprichoso

Nascido no seio da tradicional família Brasil, da rua Sá Peixoto, antigo Esconde, no Bairro da Francesa, João Bosco torcia para o Boi Caprichoso. Participava ativamente dos ensaios e claro era show a parte. Também esteve na arena do bumbodrómo na parte cênica da Figura Típica Regional da Amazônia.
Claro que o Caprichoso de Bosquinho não era mais o boizinho só do Esconde da Francesa. E o balance do dois pra lá e dois pra cá ficou mais “muderno”, os passos com o passar do tempo foram substituídos pelas coreografias. Que, aliás, são alvos de críticas de torcedores mais tradicionais de Garantido e Caprichoso. Mas essa é outra história.
Um curiosidade é que o humorista Juliano Santana da Silva, o Juliano Petrovelho, que por mais de uma década interpretou a figura da mãe Catirina na arena do Bumbódromo pelo lado do Caprichoso, recorreu até Bosquinho, aprendeu alguns passos dele de dança e pediu autorização para utilizar na arena. E assim foi.
O Amor de Bosquinho pelo Azul e Branco superava tudo. Aliás, nesse começo de 2021 o Caprichoso tem perdido, infelizmente para o Coronavírus, torcedores que ajudam a construir a identidade do festival de Parintins: Irlani Cruz Lima, esposa do artista Juarez Lima; a tradicional Francisca da Conceição Pires integrante da Marujada de Guerra e da parte Cênica conhecida Chica Biriteira. Dona Chica que veio do Ceará e morou na Delegacia de Polícia em Parintins, na década de 60, também merece uma texto a parte. Agora foi para o Céu Azul, Bosco Brasil.
Talvez Bosco Brasil o jeito simples, irreverente, olhar esperançoso, poderia escrever e opinar que Parintins teve quase um Charlie Chaplin. Aquele famoso ator e comediante nascido na Inglaterra dia 16 de abril de 1889. Nosso Carlitos tupiniquim foi Bosquinho. Agora como dizia Emerson Maia, está convivendo nas ‘pradarias do céu”…
Texto: Hudson Lima
Edição Mayara Carneiro
Fotos: Paulo Sicsu, Peta Cid e Arquivo Família
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(92) 991542015
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